Há pouco tempo eu conheci um programa de intercâmbio, que inclusive foi citado no post sobre intercâmbios baratos, chamado Camp Counselor. Resumidamente, o Camp Counselor é um programa para maiores de 18 anos que querem ser monitores nos acampamento de férias nos Estados Unidos. Já pensou, passar o verão americano naqueles acampamentos que a gente cresceu vendo nos filmes? É um intercâmbio muito divertido, mas também com muitas responsabilidades — afinal, você será o responsável por várias crianças durante 24 horas por dia.

Ele é um programa ainda não muito popular, apesar de incrível, e, por isso, é um pouco difícil encontrar informações sobre ele na internet. Mais difícil ainda é encontrar relatos e experiências de quem já participou.

Como eu nunca participei do Camp Counselor, convidei duas pessoas que já passaram por essa experiência para contar tudo pra gente, sobre o processo seletivo, o trabalho, os gastos e ganhos, os momentos de lazer e muito mais! Veja só:

Camp Counselor: conheça a experiência de quem já participou

Esse post foi feito com o apoio de duas pessoas que já participaram do Camp Counselor e contaram para a gente um pouco dessa experiência. Conheça um pouco mais sobre cada um deles:

RENAN: trabalhou em um acampamento tradicional da YMCA entre junho e setembro de 2017, quando tinha 18 anos. Ele foi para Portland, no estado de Oregon, e foi monitor de meninos de 10 e 11 anos.

NICOLE: trabalhou como Trip Leader (uma função um pouco diferente do Counselor) no Camp Kamaji, em Minnesota, no verão de 2018, com 22 anos. Era um acampamento somente para meninas, com idades entre 7 e 15 anos.

Como foi o processo desde a inscrição até ser aceito pelo seu camp?

RENAN: “Me inscrevi em uma empresa que se chama Instituto Step Up e faz treinamentos para o Camp Counselor em BH e no Rio. Durante o treinamento eles ensinam as músicas e atividades de recreação mais comuns dos acampamentos, primeiros socorros e outras atividades como arco e flecha, escalada, etc. O treinamento é obrigatório, dividido em duas partes e acontece entre setembro e maio.

Comecei o treinamento em outubro de 2016 e em fevereiro fiz a primeira entrevista, mas não fui aceito por problemas internos do camp. Em maio fiz a entrevista para o YMCA e fui aprovado no mesmo dia!”

NICOLE: “Para mim foi bem rápido. Tenho quase 10 anos de experiência com escotismo e crianças, então fiquei online em janeiro e na primeira semana o Kamaji me chamou pra entrevista. Antes do final do mês já tinha dado match com eles.

A entrevista foi bem interessante, falando muito sobre a rotina do camp e minha função. Eu não fui contratada pra ser Counselor, mas sim Trip Leader, que é uma função diferente que existe no Kamaji.”

Como era sua rotina?

RENAN: “Começava no domingo 12h e terminava no sábado seguinte por volta de 10h. As crianças começavam a chegar por volta das 14h. Durante a semana acordava às 7h e ia dormir às 22h.

Durante o dia eu acompanhava as crianças em atividades como arco e flecha, andar a cavalo, escalada, fogueira, etc. Todos os dias durante a noite tínhamos atividades específicas, como “dance parties” na segunda, show de talentos na quinta… Toda terça a gente dormia ao ar livre e fazia smore’s, um doce bem tradicional dos acampamentos americanos. Domingo, quarta e sexta tínhamos “camp fire”, que era atividades em volta da fogueira.

Quando as crianças iam embora, no sábado, os monitores limpavam e organizavam o acampamento. Entre 12h de sábado e 12h de domingo era minha folga.”

NICOLE: “Eu fui um caso a parte e já comecei diferente da maioria: não fui contratada pra ser counselor. Lá, durante a primeira semana tivemos treinamento de salva vidas na cruz vermelha (obrigatório para algumas funções. O de primeiros socorros é obrigado para todos os membros do staff). Eu não gostei muito e me senti insegura e desconfortável, então conversei com os donos do camp e eles me realocaram pra uma função em que eu não fosse responsável pelas crianças na água. Virei, junto de outra menina, “activities assistant”.

Toda manhã tomava café com o staff por volta de 7h40 e às 8h30 recebia minhas tarefas do dia. Ajudei a ensinar costura, parede de escalada, equitação, dança e artes. Diferentemente dos counselors, que dormiam e comiam com as crianças, eu fazia todas as refeições e morava com staff. Ficava livre normalmente por volta de 20-21h.

Tem também o que chamam de “on duty night”. Nas noites em que ficava on duty, eu ficava no escritório esperando o staff que teve day off retornar, ou ia pras cabines substituir counselors que estivessem off (levando criança no banheiro de noite, ajudando na rotina de dormir, higiene, organização, ler histórias, consolar meninas homesick ou com medo…)”

Tinha dias de folga? O que vc fazia nas folgas?

RENAN: “A folga era de sábado para domingo. Eu ia para a casa de amigos que conheci no acampamento. Também ia para Portland para conhecer a cidade e fui em alguns eventos tradicionais de lá. Durante a semana tinha 3 horas de “folga diárias”, além de um dia com a noite livre.”

NICOLE: “Tinha um day off e uma night off toda semana. Nas nights off, eu ficava no camp. Jantava por lá, tomava banho cedo e ficava no staff lounge com os amigos, usando o celular ou vendo filmes. Por vezes íamos para o lago conversar, ou fazer caminhadas fora da propriedade do camp.

Nos days off, eu saia do camp às 10h com quem mais estivesse off. No Kamaji poderíamos solicitar, toda semana, as pessoas com quem queríamos ter off junto. A cidade mais próxima do camp é Bemidji, uma cidade MUITO pequena, mas muito bonita. Normalmente íamos lavar as roupas, fazer um brunch e depois íamos para o shopping, parques e walmart/target. Tudo ia sendo decidido na hora, com as pessoas que estavam na van.”

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camp counselor

Quanto gastou em média com as despesas do intercâmbio? E quanto ganhou?

RENAN: “Gastei por volta de 6 mil reais com todas as despesas do Camp Counselor (passagem, visto, treinamento, etc). A passagem foi cara porque o destino não é tão popular e com voos mais caros saindo do Brasil. Ganhei um pouco abaixo da média, mas foi mais ou menos 2 mil dólares por 12 semanas. Na época o dólar estava por volta de 3,40, então ganhei mais do que paguei.”

NICOLE:  “O salário é fixo e o mesmo para quem vai com a CIEE ($1750 pelo verão). Eu gastei em torno de R$8.000, com passagens, taxas de inscrição, visto (tive que viajar pra SP pra tirar), e o pocket money que diz no contrato (U$400). Lá gastei adoidada, não pensava muito. Fui com uma mala e voltei com duas, mas não estava pensando em guardar dinheiro, aproveitei tudo. Mas na cidade que eu tava era possível sim aproveitar sem gastar muito, já que a maior parte dos “rolês” seriam em parques.

Mesmo se eu gastasse o mínimo possível, para mim é um programa que não compensaria financeiramente (não é como um work&travel que você pode voltar no lucro), mas é possível pagar boa parte dos gastos com o $ ganho lá, dependendo de onde você more. (Eu sou de Curitiba, então a passagem aérea é normalmente mais cara, e eu preciso viajar pra tirar o visto)”

camp counselor

Qual foi a melhor e a pior parte?

RENAN: “Passar a semana com as crianças era muito legal, mas para mim a melhor parte do Camp Counselor foi estar em um ambiente onde as pessoas falam somente inglês e imergir em uma cultura 24 horas por dia, 7 dias por semana, viver uma rotina, conhecer as diferenças entre EUA e Brasil na prática. Imergir em algo tão cultural nos Estados Unidos foi incrível.

É difícil pensar na pior parte porque para mim foi uma experiência muito boa. O pior foi a saudade da família, namorada, etc. Mas as coisas boas foram bem melhores que as ruins para mim. Me adaptei bem e não tive nenhum problema.”

NICOLE: “Melhor parte: era a única brasileira, então foi um intensivão de inglês, ainda mais por estar em um camp “unplugged”. Aprendi muito sobre várias outras culturas e fiz amigos pra vida em todos os cantos do mundo. No Kamaji havia staff de muitos países (México, UK, Austrália, Finlândia, Escócia, Dinamarca, Nova Zelândia…).  Aprendi a aproveitar melhor o tempo sem celular/redes sociais. Também aprendi muito sobre como lidar com crianças e com problemas que nem imaginaria que poderia enfrentar.

Pior parte: rotina muito pesada para pouco dinheiro. Já havia feito o ICP (intercâmbio na Disney) e, por mais que a rotina lá seja pesadíssima, o pagamento é por hora. Como se está lidando com crianças no Camp Counselor, você não pode ter um dia/noite de folga que não seja o que já está no schedule. E por mais que as crianças tenham “hora de dormir” e “período de silêncio/descanso” elas acordam, choram, perdem o sono… Tem que gostar mesmo de lidar com crianças e estar preparado para tudo.”

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Em relação a acomodação e alimentação, como era?

RENAN: “Era tudo incluso. Eu dormia junto com as crianças e poderia dormir e comer no acampamento inclusive nas minhas folgas.”

NICOLE: “Como eu não era counselor, morava numa cabin com outros staff (pessoal da cozinha, manutenção…) e era incrível. Não tínhamos muito horário pra dormir e nos demos muito bem. Toda noite ficávamos conversando, comendo snacks, jogando uno e fazendo friendship bracelets. Por não estar com crianças 24/7 tínhamos um pouco mais de liberdade com horários e assuntos conversados. Também tínhamos nosso banheiro próprio (o que facilita MUITO, pois não era fácil ter de dividir banheiro com mais 200 crianças e adultos!)

As refeições eram incríveis. Pensa num cardápio para agradar crianças de 7, 10 anos… Tinham vários “rituais” e músicas para cada refeição e ocasião, mas acho que esse não é a pergunta haha Toda manhã o cardápio do dia estava escrito num “quadro”. Café da manhã era sempre cold cereal (várias opções) e depois o “prato quente”, com leite, suco ou água.

O almoço\jantar era o prato quente, com suco ou água. Também tem o salad bar com umas 8 opções de saladas diferentes. Todo dia tem sobremesa! Toda terça feira é o dia de folga do pessoal da cozinha, então é o que chamam de Adventure Day, onde nós (meros mortais) vamos pra cozinha e fazemos coisas simples. As meninas fazem picnic, comem sanduíches e bolachas. E no jantar é barbecue! Eu, como staff, comia sempre 40 minutos antes das meninas. As vezes comia com elas, mas era muito gostoso comer com os adultos também.”

O Camp Counselor é uma excelente possibilidade para quem quer fazer intercâmbio nos Estados Unidos e viver uma experiência bem típica da cultura americana. É uma oportunidade para melhorar o inglês e ter um grande crescimento pessoal, além de fazer novos amigos e se tornar mais responsável e independente.

Gostou das dicas e de conhecer um pouco mais sobre a experiência do Renan e da Nicole? Então compartilhe esse post nas redes sociais e marque os amigos que também estão buscando por um intercâmbio!


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Débora, 24 anos, apaixonada por viagens e fotografia. Quanto mais eu viajo, mais eu quero viajar. Quanto mais eu conheço o mundo, mais eu me apaixono por ele...

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