intercâmbio AIESEC

Intercâmbio AIESEC: minha experiência de trabalho na Sérvia

Meu intercâmbio Sérvia foi uma das experiências mais legais que eu já vivi, apesar dos altos e baixos. Como eu já tinha feito um intercâmbio para estudar, decidi que o próximo seria um intercâmbio de trabalho para ter uma experiência nova e bem diferente. Já adianto que um intercâmbio pela AIESEC pode ser incrível ou pode ser um pesadelo, mas para entenderem melhor eu vou contar algumas das minhas histórias nesse post.

Quer saber como é fazer um intercâmbio AIESEC e como foi minha experiência? Veja só:

Intercâmbio AIESEC

Escolhi fazer pela AIESEC, pois, além de gostar muito da proposta e do trabalho da organização, o valor do intercâmbio ficaria bem menor do que se fosse por uma agência. Porém, eu tive vários problemas com a AIESEC durante o processo de busca de vagas e até durante o intercâmbio.

Para quem me pergunta se eu recomendo a organização, até outro dia eu diria que sim, mas só para quem tem a cabeça 100% aberta e não tem medo de passar perrengue. Hoje eu já não sei se minha resposta seria a mesma. A proposta da organização é muito legal, mas a experiência de intercâmbio de cada pessoa vai depender dos voluntários com as quais ela está lidando. Se você for para uma cidade onde os voluntários da AIESEC são pessoas responsáveis, sua experiência provavelmente vai ser ótima. Mas se não der sorte, não dá nem para citar os problemas que podem acontecer.

É preciso ter consciência de que todos que trabalham na organização são estudantes voluntários, ou seja, não são profissionais super experientes. A maioria tem bastante boa vontade, mas você pode passar por alguns perrengues por causa disso.

Para vocês entenderem o porquê de eu ter usado a palavra “responsabilidade”, vou contar uma história do meu primeiro dia na Sérvia. Havia um voluntário que era o “responsável” por mim pelo menos nos meus primeiros dias na cidade. Estava combinado que ele me buscaria na rodoviária no dia que cheguei e que me levaria para a empresa no meu primeiro dia de trabalho. Minutos antes de entrar no ônibus da Alemanha para a Sérvia, enviei uma mensagem para ele “o ônibus está atrasado, não sei exatamente o horário que vou chegar, porém estou sem telefone e sem internet e não vou conseguir falar com você no caminho”. Ele disse que tava tudo bem e que estaria me esperando de qualquer maneira. Acabou que eu atrasei bastante e, por sorte, consegui pegar sinal de internet em uma rodoviária que paramos pouco antes de chegar em Belgrado. Ele havia me enviado uma mensagem dizendo que eu estava demorando demais e que ele teve que ir embora, mas que o endereço do dormitório era tal e que eu deveria pegar um táxi até lá”. Sim, até esse momento eu não tinha nem mesmo o endereço do dormitório onde eu ficaria. Se eu não tivesse conseguido sinal de internet antes de chegar lá, eu teria ficado sozinha em um lugar desconhecido, sem contato com ninguém e sem saber ao menos para onde deveria ir. E o “responsável” por mim sabia de tudo isso. No outro dia ele me envia mensagem dizendo que outra pessoa me levaria para a empresa no primeiro dia, porque ele estava viajando.

https://www.instagram.com/p/5efPZ8SN3d/?taken-by=blogfoconomundo

O estágio pela AIESEC na Sérvia

O destino me mandou para a Sérvia, um país que eu nem sonhava em conhecer e acabei me apaixonando. Dentre os intercâmbios que a AIESEC oferece, eu escolhi o profissional remunerado e minha intenção era conseguir um estágio de cerca de 1 ano. Porém, depois de várias entrevistas e nenhuma oferta de trabalho que não fosse na Índia (país que eu não queria ir de jeito nenhum por ter ouvido histórias horripilantes da AIESEC de lá), acabei aceitando uma vaga não remunerada de 1 mês e meio na Sérvia, para trabalhar na área de Marketing de uma empresa de T.I.

No começo eu fiquei com bastante medo de não me adaptar à empresa e não conseguir me comunicar somente em inglês com profissionais completamente diferentes de mim. Mas chegando lá eu fui super bem recebida e todos os colegas de trabalho foram super pacientes comigo, especialmente o meu chefe, que me ensinou tudo que eu teria que fazer com muita calma, me mostrou um pouco da cidade e me deu até dicas de viagens.

Porém, meu trabalho não tinha nada de marketing. Eu tinha apenas que ficar copiando e colando contatos de empresas em uma planilha para que meu chefe pudesse entrar em contato e prospectar clientes. Por sorte, meu chefe era uma ótima pessoa e acabou me passando uns trabalhos de design para fazer, porque ele viu que eu estava bem entediada e que não estava fazendo nada de útil. Eu era tão desnecessária naquela empresa, que eu trabalhava em uma sala de reunião improvisada e sozinha, porque não tinha espaço disponível para mim em outro lugar.

Uma das coisas que eu mais gostava na empresa é que eu tinha bastante flexibilidade. Meu horário de trabalho era flexível e se eu quisesse eu poderia trabalhar em um parque ou um café ao invés de ficar no escritório. A única exigência era que eu fizesse meu trabalho direito, independente de onde, quando e como. Isso é uma coisa incrível, que eu acho que as empresas brasileiras deviam aprender.

Acomodação: Dormitório estudantil

Eu trabalhava seis horas por dia, então tinha parte da tarde e a noite livre para fazer o que quisesse. Normalmente eu ficava no dormitório descansando ou saia com meu amigos intercambistas. No período que eu estava lá, tinham vários outros intercambistas da AIESEC de vários países e a maioria estava no mesmo dormitório que eu.

Os quartos eram compartilhados e eu tive roomates tunisianas, brasileiras, portuguesas e russas. Além disso, conheci gente da Itália, Turquia e, claro, da Sérvia e outros países. Acho que posso dizer que o dormitório foi a parte mais difícil do meu intercâmbio, mas ao mesmo tempo foi uma experiência bem enriquecedora. É muito difícil dividir um espaço tão pequeno com pessoas tão diferentes e conviver com as manias de alguém que vive em uma outra cultura.

Nós dizíamos que estar naquele dormitório, era como estar em uma novela mexicana. Todos os dias acontecia alguma coisa diferente, gritaria, romance, brigas (uma vez rolou até sangue no corredor depois de uma briga), conversas em outras línguas, música do mundo inteiro, cheiro de comidas bem diferentes… Foi muita loucura morar em um dormitório estudantil, mas eu estava buscando experiências diferentes e eu consegui.

Outra coisa que fez o dormitório ser uma parte difícil do meu intercâmbio foi a falta de estrutura. Estava no auge de um verão de quase 40 graus e não havia nem um ventilador nos quartos, nem um frigobar para termos água gelada. Tínhamos apenas uma chave para um quarto de 4 pessoas, e quando todos saíam era preciso deixar a chave na recepção (e qualquer pessoa podia pegar, não havia controle). Também não havia internet e não podíamos usar a cozinha. Foi um dormitório escolhido pela AIESEC e quem pagou por ele foi a empresa onde trabalhei.

Eu fui uma das últimas intercambistas da AIESEC dessa “temporada” a ir embora, e em um belo dia eu estava saindo e a moça da recepção pergunta se minhas malas já estavam prontas. Eu disse que não e que só iria embora em 4 dias, e ela me respondeu “não, você precisa sair do dormitório até o meio dia de hoje”. Entrei em contato com meu “responsável” (aquele mesmo que citei no início do post) e ele disse que não podia me ajudar. Tive que arrumar um lugar para ficar no Airbnb e pagar do meu bolso, já que a AIESEC não se responsabilizou por isso, mesmo sabendo desde o início a data em que eu ia embora.

Belgrado <3

Belgrado é a capital da Sérvia e, apesar de não ser uma cidade cheia de atrações e coisas para fazer, eu me apaixonei por ela. Eu tive a oportunidade de conhecer bastante sobre a cultura e a história do país. Fui em um festival que tinha shows de algumas bandas sérvias e foi muito engraçado ver o público se divertindo trombando uns nos outros no ritmo da música. Inicialmente eu achei que era briga, mas vi as pessoas pedindo desculpa se trombavam muito forte e descobri que era só brincadeira mesmo.

Os sérvios são pessoas incríveis, super receptivas e alegres. Eu fiz amizade com vários atendentes das lojas e restaurantes que eu ia todos os dias e a gente sempre batia papo. Aprendi um pouco sobre as guerras que aconteceram no país e como isso os afeta até hoje, e também conheci Montenegro, país que se separou da Sérvia em 2006. Aprendi o alfabeto cirílico e algumas palavrinhas em sérvio, hvala!*

https://www.instagram.com/p/56uYndyN8R/?taken-by=blogfoconomundo

Claro que não foi tudo perfeito, em alguns momentos eu só queria chorar e voltar pra casa, mas isso faz parte de qualquer intercâmbio. Eu saí da minha zona de conforto como nunca tinha feito antes, aprendi demais, conheci pessoas maravilhosas, me conheci melhor, descobri que sou mais forte e mais capaz do que eu imaginava, evolui pessoal e profissionalmente. Eu me decepcionei muito com a AIESEC, mas o intercâmbio em si foi uma das melhores e mais surpreendentes experiências da minha vida!

*hvala significa obrigada em sérvio

20 perguntas sobre meu intercâmbio AIESEC


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Este post tem 3 comentários

  1. Liine

    Deh, seu intercambio foi pra trabalho, especificamente estágio certo? Então só está disponível pra quem está cursando algum curso na faculdade?
    Tenho vontade de fazer esse intercambio pra estágio mesmo (não o voluntario), porém já terminei minha faculdade faz uns 3 anos.. hahahahaha

  2. Oi Liine, se não me engano na AIESEC vc pode ter se formado a ate 2 anos pra se inscrever pra qualquer intercâmbio. Mas da uma olhadinha com ele, as vezes as regras mudaram e agora aceitam 3 anos, RS

  3. Oi Liine, se não me engano na AIESEC vc pode ter se formado a ate 2 anos pra se inscrever pra qualquer intercâmbio. Mas da uma olhadinha com ele, as vezes as regras mudaram e agora aceitam 3 anos, RS

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